terça-feira, 2 de maio de 2017

Adeus a uma fase da vida



Eu não poderia deixar de escrever, de falar.
É uma despedida de uma fase.
Um adeus em silêncio.

Sabe, eu nem era tão apegada a ele. Não ouvia as músicas, não acompanhava sua trajetória de vida. Mas ele fez parte de uma fase da minha . 
Onde ouvir e cantar músicas não era permitido. Onde a expressão era tão reprimida que o pensamento era o único sentido de libertação.

Não entendi o seu recolhimento, e decerto ele sabia o que sentia e fazia.
Os gênios são assim. Não compreendemos muito suas escolhas e trajetórias.
Cada um sabe de si.

Dele eu levo a lembrança de um fato :
Eu morava em Brasília, numa época de transição para o RJ.
Eu não queria vir. 
Foi muito sofrimento e adoeci.

Quando soube que Belchior estaria num movimentado shopping a noite pedi a uma amiga que fosse comigo. Com a resposta negada, recorri ao filho. Também não poderia ir.
Marido no RJ e eu na vinda contrariada para RJ.
A tristeza era muita. Me arrastei para o shopping.

Pasma fiquei quando vi a multidão . Não conseguia dar um passo e nem me movimentar.  Passaria mal naquela situação. O que fazer então.
No meu pensamentozinho arrumei uma solução . Tomei o elevador panorâmico e fui na parte interna do shopping, onde tinha muita visibilidade. Acho que todos pensaram a mesma coisa , mas não foram . Tinha seguranças que não deixavam ninguém subir. Mas a bobinha aqui nem se deu conta. 

Subi sem ser incomodada, e nem percebi que estava na área restrita.
Fiquei lá em cima, com a visão total para mim. Eu sozinha ! 
Nisso uma porta abriu e quem saiu de lá ? Sim, o próprio Belchior.
Bem, a emoção tomou conta e eu me assustei. Ele sorriu com a minha tontice.  E se fosse uma fã enlouquecida  ? hahaha.
Não. Era sómente eu, na época uma jovem senhora. 

Ele elegante passou por mim, me abraçou, deu dois beijos no meu rosto  e desceu para o público.
Eu fiquei ali. Com a emoção do privilégio.
Desci pelo mesmo elevador. Não precisava ouvi-lo cantar. Ele cantava dentro de mim com suas músicas tipo meio árabe, meio espanhol. Com meu dna nordestino, gosto dessa mistura de cantorias. 

E agora é hora de dizer Adeus . 

6 comentários:

  1. Não conhecia Zi mas gostei da homenagem em tom de recordação! Bj

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  2. Que momento lindo ,foi único e intemporal para o seu coração ,muitos beijinhos no coração querida amiga.

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  3. Que lindo teu relato,Zizi! E tu, sempre dando um jeitinho com tua criatividade...Até um elevador na ala restrita,rs..Valeu, imagino tua alegria ! Eu gostava dele, fiquei com pena que se foi e ainda surpresa por ele estar aqui no RS e ninguém saber! bjs, chica

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  4. Muito lindo e emocionante sua memória e homenagem a esse cantor maravilhoso, o qual irá fazer muita falta no meio artístico. Abraços amiga!

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  5. Zizi, um texto muito interessante e cativante. Simples assim, tiveste momentos extraordinários, isso na maior espontaneidade... E em Brasília! Rsss, cidade que quando aprendemos a gostar nos apaixonamos! Rsss... Tou aqui há quase 38 anos.

    Tchau e até breve... Bj

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  6. Uma boa lembrança, de uma experiência vivida!
    Sabia que estava por aqui, só não sabia a cidade. bjss

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Vou te aguardar com carinho!