domingo, 21 de agosto de 2016

Mainha


A mãe daquela menininha reparou numa coisa. A filha precisava socializar. 
Andava muito solitária, não sorria, não conversava, vivia no seu mundinho .

Sendo assim, preparou um pratinho com alguns docinhos e pediu para a filha entregar na vizinha.  - Mas mãe! - Vai lá, menina !

 - Mas como eu faço, mãe!
Primeiro você bate palmas. Espera no portão e diz: minha mãe pediu para entregar para a senhora. 
-E depois mãe! - Depois, você repara se ela pede para entrar. - Eu , entro?  
- Sim, entra com educação. Se ela pedir para sentar, você senta. Conversa um pouquinho.


 - Mas, mãe, falar sobre o quê. - Ah, menina, você inventa na hora. 
-E não vai demorar. Porque a gente tem que ser breve nas visitas, nada de amolação, muito bla bla bla. Entrega o pratinho, sorri , conversa um pouquinho  e volta.

Aquela mãe sabia que entre amigas vizinhas, a cordialidade é muito necessária.
Um intercambio saudável . O pratinho ia cheio, devia ser devolvido cheio.
Quando o pratinho não voltava, o que significava?

A menininha pensava: não gostaram do que foi oferecido? Ou não tinham para retribuir? Talvez. 
Precisava de compreensão.

 Nem todos tem o que oferecer. As vezes tem o prato vazio, as vezes são um prato vazio.
 Mas gentileza, poderia ter, pensava a menininha.
 Sim. Um pequeno agradecimento. Um sorriso. 


A mãe da menininha dizia que para uma amizade crescer era necessário de que 
houvesse retribuição. Tipo um jogo de ping pong ( tênis de mesa) 
Um joga a bola para o outro. Não deixa o outro no vácuo. O jogo precisa ser efetuado, senão perde a graça. 

No jogo das cordialidades não há vencedor ou perdedor. Quando há ruptura do intercâmbio ou o ego vizinho supera qualquer troca, fica uma tristeza. 
As amizades ficam frias ou distantes.

A menininha foi gostando daquele troca, troca. Gostava de ver as conversas das vizinhas da mãe entre as cercas dos quintais. Nem sempre os pratinhos circulavam. Mas as amizades cresciam. 

Houve a época do crochê, da troca de revistas, de uma olhar os filhos da outra para que pudessem ir ao médico ou algo assim.

A menininha foi socializando e observando. Não tinha coisa melhor que as correspondências . Podiam ser de olhares, de afeto, de cuidado .

 - E a mãe dizia: quando você crescer, cuide de suas amigas
Ofereça um chá da tarde.
Faça um ramalhete de flores e de como presente .
( ramalhete, ninguém mais usa essa palavra )

 - Mas mãe, e se elas não quiserem
se elas não estiverem nem aí pra mim

- Ahh, filha, você vai encontrar gente de todo o tipo
daquelas que  vão  te  deixar falando sózinha
que vão  morrer de inveja pelo que não tem e você tem
que são  casca grossa por natureza , 

 - Mas não se avexe
Cristo vai estar contigo
e essas minhas palavras

Não se deixe desanimar 
Não desista de você ! 

Eta mainha boa! 












4 comentários:

  1. Que lindo e doce,.Zizi! Realmente a amizade deve ser regada, cuidada e a entrega de "docinhos ou flores" é importante nessa relação! Que mainha sábia! Muito lindo! bjs, ótima semana,chica

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  2. Mainha boa cheia de sabedoria e delicadeza ,muito belo querida amiga ,beijinhos muitas felicidades

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  3. Zizi, voltei pra te dizer que acabam de entrar teus lindos céus lá! beijos, tudo de bom! chica

    http://ceuepalavras.blogspot.com.br/2016/08/ceus-da-zizi-santos.html

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  4. Bom este texto.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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