segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sonho de criança


O sono chegou. Mas não cessaram as imaginações do sonhos.
Tudo era muito colorido, com luzes faiscantes. Por vezes era um sonho gostoso, por vezes um sonho agitado. Dependia da ocasião. Criança tem dessas coisas. Depende dos fatores do dia, das brincadeiras e estripulias. Depende das iras das mães, das babás e das brincadeiras com amiguinhos. Tudo depende. Os sonhos são consequências. Se for um sonho acordado é outra coisa, se for um sonho dormido é outra. Do sonho dormido, pode-se escapulir, criar metáforas e caminhos. Se for o sonho desejado é ir a luta e enfrentar os precalços da vida.
Naquela noite, o sonho tinha o sabor do descanso, o resultado de horas brincadas na praça, na calçada e no quintal. Era um sono caído. Daqueles que se desmaiado, ninguém acorda o sonhador. 
Foi então que aquela figura meio fauno, meio gente apareceu. Dentro daquele universo imaginário, tudo podia acontecer. Correr pra onde? Medo só do bicho papão. E o que era o bicho papão? O homem do saco? que aparecia na rua com um saco nas costas? Descobriu-se  que era um mendigo e que era um catador de latas. As latas cantavam dentro daquele saco. Mas os adultos gostam de amedrontar crianças. Criam as mais ricas histórias, mas as vezes deixam de contar sobre certos perigos que rondam uma criança. Assim muitas vezes, as crianças estão solitárias dentro dos seus pensamentos e temores e têm que enfrentar seus medos e surpresas. Mas voltemos ao sonho:
A criatura apareceu e tomou forma. Em cima de lençóis e macio cobertor. A cena era amedrontadora e ao menos tempo suave. Foi questão de segundos  e amizade ficou selada, sob os olhos protetores de um pavão.  A visita seria todo dia de sonho calmo. Juntos passeariam por campos de flores e águas de cascatas. Mas quem, em sã inocência aceitaria um tal convite? Em tempos passados, sim, mas em tempos presentes creio que não. Quem aceitaria um sonho de meio fauno meio ser esquisito , sob olhar de um pavão,   com passaporte para um campo de flores e cascatas? 


  

Foto original - brazilphotoexpress
Da exposição ComCiência de Patrícia Piccinini

veja: CCBB - Rio de Janeiro

Foi a escultura que mais me tocou. Logo que vi o pavão em cima da cama, já comecei a lembrar dos meus sonhos.
Sonhos de criança em décadas passadas.
Onde a insegurança e os perigos, eram encarados de maneira diferente.
Eu acreditava em cegonha, em contos de fadas e ter um pavão dentro de casa.
Difícil  fotografar, cada clique disputado. Todos queriam pose com as esculturas. Mas eu volto, quero sentir a exposição com mais calma. 

Até mais, pavão!

6 comentários:

  1. Puxa, que sonho esse! E adorei as fotos! Essa exposição deve mesmo valer a pena ,com uma visita bem demorada e calma, sem muita gente por lá, de preferência! Adorei! bjs, chica

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  2. Excelente a combinação do texto com as fotografias da exposição.

    Uma excelente semana!

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  3. Fantástico momento querida amiga ,beijinhos no coração.

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  4. Interessantes fotos e um sonho, linda combinação.
    Gostei de ler e ver, Zizi querida.
    Tenha uma ótima semana.
    Beijinhos de
    Verena e Bichinhos.

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  5. Olá Zizi, gostei de lembrar parte de minha infância em parte das suas ponderações e reflexões sobre um tempo. Vivia sob o signo do medo com suas assombrações. Mas imagino que beleza de exposição para recompor historias.
    Volte mesmo.
    Um abração com carinho.
    Bjs de paz

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  6. Gostei imenso de ler esta tua história,é super apaixonante e encantadora,excelente semana para ti!!

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